Moradora de João Monlevade sofre ataques racistas em rede social; polícia investiga o caso

Vítima foi xingada de macaca e outras ofensas racistas graves e denunciou o caso à Polícia Civil

Atualizado em 26/01/2026 às 14:01, por Kinderlly Brandão.

Mulher preta usando o celular

Foto ilustrativa. Reprodução/Freepik

Uma mulher registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de João Monlevade após sofrer ataques racistas em uma rede social. Por meio de mensagens de uma desconhecida, a vítima foi xingada de "macaca" e “criola dos infernos”, além de outros dizeres ofensivos. 

A vítima é uma mulher de 38 anos, moradora de João Monlevade. O fato aconteceu no último domingo (25).

Conforme o boletim de ocorrência, a autora do crime é uma mulher de 34 anos, moradora do bairro Bom Retiro, em Ipatinga. 

Entenda o caso

A vítima compareceu à Delegacia de Polícia Civil em João Monlevade nesta segunda-feira (26), relatando que fez um comentário em uma postagem de cunho político do Instagram. Após manifestar seu posicionamento, a mulher recebeu mensagens racistas no “direct” do Instagram, conforme print de tela abaixo:

As mensagens foram enviadas na tarde de domingo (25). Em seguida, a autora bloqueou a vítima nas redes sociais. Durante a noite, a vítima recebeu ligações do companheiro da autora, que fez contato no intuito de tentar amenizar e resolver a situação. 

Segundo a vítima, na ligação recebida, a autora assume que enviou as mensagens racistas. 

A vítima relatou ao portal Expresso Monlevade que no momento em que recebeu as mensagens, sequer teve força para responder. Segundo ela, a autora insistiu em um diálogo para se retratar. Para a vítima, este é um crime que não cabe retratação e todas as providências serão tomadas, com o auxílio de seus advogados. 

Crime de injúria racial

A Polícia Civil de João Monlevade considera o crime grave e está investigando o caso. 

A pena para o crime de injúria racial aumentou recentemente para reclusão de 2 a 5 anos, mais multa. Agora, a injúria racial é considerada crime de racismo, tornando-se imprescritível (pode ser julgado a qualquer tempo) e inafiançável (não cabe fiança). 

Racismo na internet

Nas redes sociais, discursos de ódio ganham espaço para se proliferar e ataques racistas se multiplicam. A internet não cria o racismo, mas fortalece sua presença, impacto e alcance. As redes sociais apenas ampliam o que já existe offline.

Este não é um caso isolado. Uma pesquisa aponta que 61% das vítimas de racismo online no Brasil são mulheres, em sua maioria negras, entre 25 e 40 anos. Os dados são do relatório intitulado “Brasil, mostra sua cara: Retrato das vítimas de racismo online e o anonimato de seus agressores”, que foi elaborado pelo Aláfia Lab. Para mais informações, acesse a pesquisa completa.

Se você for vítima de racismo, seja no ambiente online ou presencial, denuncie. Compareça a uma Delegacia de Polícia Civil ou disque 181.


Kinderlly Brandão

Jornalista na Rádio Alternativa 91.1 FM. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Também trabalhei na redação do Portal Mais Minas e Jornal de Brasília.