Uma mulher registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de João Monlevade após sofrer ataques racistas em uma rede social. Por meio de mensagens de uma desconhecida, a vítima foi xingada de "macaca" e “criola dos infernos”, além de outros dizeres ofensivos.
A vítima é uma mulher de 38 anos, moradora de João Monlevade. O fato aconteceu no último domingo (25).
Conforme o boletim de ocorrência, a autora do crime é uma mulher de 34 anos, moradora do bairro Bom Retiro, em Ipatinga.
Entenda o caso
A vítima compareceu à Delegacia de Polícia Civil em João Monlevade nesta segunda-feira (26), relatando que fez um comentário em uma postagem de cunho político do Instagram. Após manifestar seu posicionamento, a mulher recebeu mensagens racistas no “direct” do Instagram, conforme print de tela abaixo:

As mensagens foram enviadas na tarde de domingo (25). Em seguida, a autora bloqueou a vítima nas redes sociais. Durante a noite, a vítima recebeu ligações do companheiro da autora, que fez contato no intuito de tentar amenizar e resolver a situação.
Segundo a vítima, na ligação recebida, a autora assume que enviou as mensagens racistas.
A vítima relatou ao portal Expresso Monlevade que no momento em que recebeu as mensagens, sequer teve força para responder. Segundo ela, a autora insistiu em um diálogo para se retratar. Para a vítima, este é um crime que não cabe retratação e todas as providências serão tomadas, com o auxílio de seus advogados.
Crime de injúria racial
A Polícia Civil de João Monlevade considera o crime grave e está investigando o caso.
A pena para o crime de injúria racial aumentou recentemente para reclusão de 2 a 5 anos, mais multa. Agora, a injúria racial é considerada crime de racismo, tornando-se imprescritível (pode ser julgado a qualquer tempo) e inafiançável (não cabe fiança).
Racismo na internet
Nas redes sociais, discursos de ódio ganham espaço para se proliferar e ataques racistas se multiplicam. A internet não cria o racismo, mas fortalece sua presença, impacto e alcance. As redes sociais apenas ampliam o que já existe offline.
Este não é um caso isolado. Uma pesquisa aponta que 61% das vítimas de racismo online no Brasil são mulheres, em sua maioria negras, entre 25 e 40 anos. Os dados são do relatório intitulado “Brasil, mostra sua cara: Retrato das vítimas de racismo online e o anonimato de seus agressores”, que foi elaborado pelo Aláfia Lab. Para mais informações, acesse a pesquisa completa.
Se você for vítima de racismo, seja no ambiente online ou presencial, denuncie. Compareça a uma Delegacia de Polícia Civil ou disque 181.
