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Copasa é vendida na Bolsa de Valores sob incerteza dos contratos com os municípios

Privatização da Copasa movimentou quase R$ 8,4 bilhões. Cidades do Médio Piracicaba ainda não definiram se irão renovar seus contratos de serviços de água

Copasa é vendida na Bolsa de Valores sob incerteza dos contratos com os municípios
Após 52 anos como estatal, Copasa foi privatizada oficialmente pelo Governo de Minas Gerais. Foto: divulgação/Copasa

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi vendida oficialmente nesta terça-feira (16), em um leilão na Bolsa de Valores (B3). O Grupo Equatorial Energia adquiriu 30% das ações e assumiu o posto de investidor de referência. Enquanto isso, o Governo de Minas Gerais manteve uma participação minoritária de 5% e uma ação especial (golden share) com poder de veto em decisões estratégicas da empresa.

A gestora Perfin também adquiriu 12,76% das ações da companhia. A venda movimentou cerca de R$ 8,3 bilhões, com as ações precificadas em R$ 49,03 cada.

De acordo com o Governo de Minas, o objetivo da privatização da Copasa é ampliar a capacidade de investimentos e expandir os serviços de saneamento no estado, com foco na universalização dos serviços de água e esgoto.

A venda da Copasa ocorreu enquanto a maioria dos municípios mineiros ainda não decidiram se vão prorrogar seus contratos com a companhia. As prefeituras atendidas pela empresa têm prazo até 28 de setembro para renovarem os acordos.

Copasa na região

A Copasa atende 636 cidades mineiras. Dentre elas, no Médio Piracicaba, os municípios de São Domingos do Prata, Bela Vista de Minas, Rio Piracicaba, Santa Bárbara e Barão de Cocais são atualmente atendidos pelo serviço de abastecimento de água prestado pela Copasa. 

Para decidir sobre a renovação de contratos com a Copasa, os municípios negociam a conversão de seus antigos acordos para concessões alinhadas ao Novo Marco Legal do Saneamento. Esse processo decisório é complexo, e envolve avaliações de investimentos e a escolha entre renovar individualmente ou integrar blocos regionais.

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As cidades têm a opção de integrar as Unidades Regionais de Água, Esgoto e Drenagem (URAEDs), propostas pelo Governo de Minas Gerais, que são blocos com contratos unificados, que facilitam a gestão sem negociações individuais.

A situação exige cautela e debate conjunto, já que envolve diretamente a autonomia dos municípios, os investimentos futuros em água e esgoto, a política tarifária e a gestão dos serviços públicos.

LEIA TAMBÉM: Prefeitos de Rio Piracicaba, Bela Vista e Prata relatam insatisfação com os serviços da Copasa

Grupo Equatorial é o mesmo que comanda a Sabesp, em São Paulo

A Equatorial Energia, que agora detém 30% da Copasa, é a mesma empresa que detém 15% da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), e tem expandido fortemente sua atuação no setor de saneamento. 

No estado paulista, a Sabesp é alvo recorrente de reclamações por parte dos consumidores, especialmente sobre a interrupção no fornecimento de água.

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, disse que os serviços prestados à população seguem normalmente, incluindo a definição sobre tarifas, sem qualquer alteração na operação da companhia. Dessa forma, segundo ele, permanecem preservados os instrumentos regulatórios e de fiscalização do setor, exercidos pelos órgãos competentes, garantindo a continuidade e a qualidade dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em todo o estado.

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