Terça-feira, 15 de setembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo

Buscar notícia

Proposta de antecipar eleição da mesa diretora da Câmara é reprovada com troca de farpas entre vereadores

Marquinhos Dornelas afirmou que tem pessoas que "não conseguem passar o bastão e não larga o osso de jeito nenhum". Fernando Linhares rebateu. Saiba mais

Proposta de antecipar eleição da mesa diretora da Câmara é reprovada com troca de farpas entre vereadores
O vereador Marquinhos Dornelas (declarado candidato à presidência) e o atual presidente da Câmara, Fernando Linhares, protagonizaram um embate. Foto: reprodução/YouTube/CMJM

O projeto de resolução que previa antecipar a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal de João Monlevade foi reprovado nessa quarta-feira (26), por não atingir o número de votos necessários. As discussões em torno desse projeto foram o momento de maior tensão na reunião na Câmara, com troca de farpas entre vereadores. 

A mesa diretora, que é eleita pelos próprios vereadores, vigora por um biênio e é responsável por conduzir os trabalhos legislativos e gerenciar os serviços administrativos da Câmara. É composta pelo presidente da Câmara, vice-presidente e secretários.

A proposta reprovada nessa quarta previa alterar o regimento interno da Câmara para antecipar a eleição da próxima mesa diretora para o dia 1º de outubro. Atualmente, o regimento interno estabelece que a eleição ocorra na primeira quinzena de dezembro.

Para ser aprovado, o projeto precisava de 2/3 dos votos favoráveis, ou seja, mínimo de 10 votos. A votação foi de 9 votos a favor e 5 contra. 

Votaram a favor Marquinhos Dornelas (Republicanos), que é candidato à presidência da Câmara; além dos vereadores Alysson Enfermeiro (Avante), Carlinhos Bicalho (PP), Leles Pontes (Republicanos), Dr. Sidney Bernabé (PL), Sinval da Luzitana (PL), Thiago Titó (MDB), Vanderlei Miranda (Podemos) e Zuza do Socorro (Avante).

O projeto de resolução para adiantar a eleição da mesa diretora foi proposto pelo grupo de nove vereadores. Foto: Kinderlly Brandão

Foram contrários ao projeto os vereadores Fernando Linhares (Podemos), Revetrie Teixeira (MDB), Belmar Diniz (PT), Bruno Cabeção (Avante) e Maria do Sagrado (PT). O vereador Sassá Misericórdia (MDB) justificou ausência na reunião.

Publicidade

Por que queriam adiantar a eleição?

Segundo os vereadores favoráveis ao projeto, a intenção de antecipar a eleição era proporcionar um período maior para a transição entre as mesas diretoras, contribuindo para o planejamento das atividades institucionais e para a transmissão ordenada das informações necessárias à continuidade administrativa da Câmara e da Unidade de Atendimento Integrado (Posto UAI).

Leles Pontes argumentou que a antecipação daria tranquilidade aos servidores da Câmara, que ficam na ansiedade de não saber quem será o "novo patrão". Com o resultado em outubro, os assessores e funcionários comissionados que eventualmente fossem perder o cargo, teriam tempo hábil para se planejar e buscar novas oportunidades.

Já os parlamentares contrários à proposta justificaram voto alegando que o tempo para transição era muito extenso e que a eleição da mesa iria coincidir com o período eleitoral, podendo causar confusão política desnecessária.

Reunião da Câmara dessa quarta-feira (26). Foto: divulgação/CMJM

Troca de farpas entre vereadores

Após a reprovação do projeto, a discussão rapidamente escalou para acusações e ironias diretas. Marquinho Dornelas declarou que a resistência à antecipação vinha do desespero de quem está saindo do cargo de comando: “gosta muito do osso e não larga o osso de jeito nenhum”, disse. Ele ainda acrescentou que a "abstinência do poder" pode gerar euforia e comportamentos precoces.

Incomodado com o termo "abstinência", o presidente da Câmara, Fernando Linhares, que é policial civil, rebateu: “Graças a Deus eu, com 43 anos de idade, não tenho vício nenhum. E acalma o coração, vereador. (...). Fica tranquilo que dessa vez eu não vou ter a oportunidade de ganhar do senhor”.

Apesar da reprovação da mudança regimental, vereadores como Dr. Sidney e Sinval declararam que, independentemente do projeto ter sido derrotado, o grupo de nove vereadores segue unido e que a eleição de Marquinho Dornelas em dezembro é tida como certa.

Leia também