A presidente da Atlimarjom, Valdete Rosa, explicou à população os motivos da paralisação temporária da coleta seletiva em João Monlevade e apresentou os desafios enfrentados pela associação.
Durante reunião na Câmara Municipal, Valdete contou que a coleta seletiva em Monlevade alcançou grande adesão da população à separação dos materiais recicláveis. No entanto, o aumento do volume coletado e a dificuldade de contratação e permanência de trabalhadores provocou um acúmulo de materiais na sede da Atlimarjom. Segundo ela, há muito material para ser triado e poucas pessoas disponíveis para realizar o trabalho.
Diante da situação, a Atlimarjom paralisou a coleta a partir de 1° de setembro para reorganizar o espaço, processar o material acumulado e buscar novos trabalhadores.
Atlimarjom precisa de mão de obra
A associação busca trabalhadores para conseguir retomar e manter regularmente o serviço de coleta seletiva. O trabalho tem jornada de oito horas diárias, de segunda a sexta-feira, com pagamento de um salário mínimo.
Durante a reunião na Câmara, Valdete defendeu a necessidade de criar melhores condições para atrair e manter trabalhadores na atividade.

Segundo Valdete, o município atualmente remunera a coleta por quilômetro rodado, com repasse atual de aproximadamente R$ 50 mil mensais.
Com isso, a associação precisa arcar com despesas como equipamentos de proteção individual, energia elétrica, telefone e internet, enquanto a renda obtida com a comercialização dos recicláveis varia conforme a produção e as vendas.
A prefeitura paga a gente para coletar o resíduo. Então ela paga por quilômetro rodado. Ela não paga para coletar, triar e destinar. O nosso trabalho ele não é pago, assim, como deveria.
Valdete ressaltou ainda que a associação é composta, em sua maioria, por pessoas em situação de vulnerabilidade, muitas delas mulheres que são responsáveis sozinhas pelo sustento de suas famílias. Segundo ela, os homens geralmente encontram outras oportunidades de trabalho no mercado e acabam não permanecendo no serviço da Atlimarjom.

Pausa é temporária
Valdete estima que a paralisação possa durar até quatro meses, mas afirmou que a expectativa é retomar as atividades antes desse prazo, caso a associação consiga recompor sua equipe.
Durante a fala, a presidente reforçou que a reciclagem representa benefícios sociais, econômicos e ambientais para o município. Segundo ela, o material reciclável que deixa de ser destinado ao aterro pode gerar renda para famílias, além de contribuir para a preservação ambiental e para a redução do volume de resíduos aterrados.
Valdete também pediu o apoio dos vereadores para buscar soluções para a associação, especialmente a possibilidade de um aporte financeiro que permita melhorar as condições de trabalho e atrair novos integrantes. Ela destacou que a paralisação é temporária e tem como objetivo reorganizar a estrutura da entidade para que a coleta seletiva possa voltar a funcionar de forma sustentável.
Ao final, Valdete convidou os vereadores e a população a conhecerem a estrutura da Atlimarjom e reforçou a importância da parceria entre o poder público, os trabalhadores e a comunidade para fortalecer a coleta seletiva e garantir que os resíduos recicláveis continuem gerando renda, inclusão social e benefícios ambientais para João Monlevade.
