Um homem de 45 anos, monlevadense, foi preso pela Polícia Civil (PCMG) por crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (12), os delegados Camila Alves e Bernardo Machado detalharam como os crimes eram cometidos.
A prisão foi efetuada na tarde de quinta-feira (11), quando os policiais conseguiram tirar o homem de dentro de um ônibus da Gontijo no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Sabará. Na ocasião, ele fugia para Belo Horizonte.
Além do mandado de prisão preventiva que já existia, ele foi preso em flagrante devido ao material pornográfico infantil encontrado em seu celular. Até o momento, foram identificadas três vítimas dele em Monlevade e outras centenas de vítimas em diversas regiões do Brasil.
Possíveis crimes
A Polícia Civil investiga o suspeito por crimes como exploração sexual de crianças e adolescentes, estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça, aliciamento de menores, extorsão e chantagem. As mídias encontradas no celular dele também caracterizam o crime posse de materiais de pornografia infantil. Para a Polícia Civil, ele confessou parte dos crimes.
O suspeito foi descrito pelo delegado Bernardo Machado como um "verdadeiro predador sexual". Isso porque o homem aliciava crianças presencialmente, em ambientes públicos, e on-line, por meio de redes sociais e jogos populares.
Perfil das vítimas
Até o momento, a investigação identificou que todas as vítimas são do sexo masculino (meninos), com idades variando entre 10 a 15 anos.
Atuação em João Monlevade
O indivíduo disse para a Polícia Civil que trabalhava como pedreiro, mas também atuava como vendedor ambulante, montando barracas em locais de grande movimentação de crianças. O homem relatou ter vendido itens como meias e churros, utilizando o comércio como pretexto para se aproximar dos menores.
Ele frequentava praças e locais de lazer onde crianças e adolescentes costumam brincar, muitas vezes desacompanhados. Para atrair as vítimas presencialmente, ele utilizava o argumento de que iria pagar açaí, pizza ou comprar brinquedos para os jovens.
O suspeito chegou a ter contato físico com pelo menos uma das vítimas.
Atuação on-line
O suspeito agia com "expertise" para conquistar a confiança das vítimas. Ele estava presente em diversas redes sociais e aplicativos, explorando a falta de monitoramento dos pais. Se infiltrava em jogos amplamente utilizados por crianças e adolescentes, como Roblox e Free Fire.
O homem mantinha um contato diário com as vítimas, enviando mensagens de "bom dia" e interessando-se pela rotina escolar dos menores. Além disso, convidava as crianças para jogar e mostrava vídeos de YouTubers famosos para criar afinidade. Ele operava em diversas plataformas, incluindo WhatsApp (pessoal e business), TikTok, YouTube, Instagram, Facebook, Kawai e Threads.
Após estabelecer o contato com o menor, o homem oferecia e realizava pagamentos via Pix para as crianças ou para contas de adultos às quais elas tinham acesso. Em troca do dinheiro, ele solicitava o envio de fotos e vídeos pornográficas.
Usando a internet, o criminoso conseguiu manter conversas e mídias de centenas de crianças de todo o Brasil, não se limitando à João Monlevade.
Após obter o material pornográfico, o suspeito passava a chantagear e ameaçar as vítimas. Segundo a delegada, o suspeito "vivia para isso", utilizando o dinheiro que ganhava em seu trabalho para financiar o aliciamento e manter o contato diário com cerca de 100 crianças.
Durante a coletiva, as autoridades destacaram a periculosidade do indivíduo e a importância da família manter vigilância sobre o uso de dispositivos digitais por menores.
O caso segue em investigação para identificar a possível existência de uma rede de exploração e localizar outras vítimas impactadas pelas ações do criminoso.
Pais ou responsáveis que suspeitarem que seus filhos foram vítimas desse ou de outros criminosos devem procurar a Delegacia de Polícia Civil. Também podem ser feitas denúncias anônimas pelo Disque 100, ou Disque 181, gratuitamente, com garantia de sigilo.
