Bióloga pratiana descobre nova espécie de fungo “zumbi” na Mata Atlântica

Aline dos Santos é a bióloga que descreve a descoberta da nova espécie, batizada de Gibellula mineira; saiba mais

Atualizado em 24/03/2026 às 14:03, por Kinderlly Brandão.

Bióloga pratiana descobre nova espécie de fungo “zumbi” na Mata Atlântica

Fotos: divulgação/arquivo pessoal

A pesquisadora pratiana Aline dos Santos é a autora de um artigo que descreve a descoberta de uma nova espécie de fungo “zumbi”, que foi denominada Gibellula mineira. 

A espécie descoberta por Aline é conhecida como fungo zumbi por infectar aranhas e manipular o comportamento de suas hospedeiras. Aline realizou as buscas ativas e foi quem coletou as espécies em campo, na Mata da Biologia e no Recanto das Cigarras, áreas de floresta no campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV).  

A pesquisa de mestrado realizada por ela está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFV. O estudo envolveu a descrição morfológica detalhada e a análise de DNA, comprovando que se trata de uma espécie distinta e inédita para a ciência. 

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Como o fungo Gibellula mineira transforma aranhas em “zumbis”

Este processo envolve a manipulação comportamental da aranha, que garante a sobrevivência e a dispersão do fungo. 

Primeiro, o fungo infecta a aranha penetrando sua cutícula. O parasita então manipula o comportamento da aranha, a forçando a se deslocar para a face inferior das folhas de plantas, arbustos e árvores.

Antes de morrer, a aranha é induzida a construir uma fina camada de seda sobre a folha, para garantir que seu cadáver permaneça fixo no lugar.

Após a morte da aranha, o fungo consome os nutrientes internos e cresce para fora do corpo, projetando estruturas chamadas sinêmios, que liberam novos esporos no ambiente para infectar outras aranhas.

Os resultados revelaram uma alta prevalência do fungo na população da aranha hospedeira: cerca de 25% das aranhas estavam infectadas. Outro resultado indica que aranhas menores apresentaram maior probabilidade de serem parasitadas.

Processo realizado pelo fungo: da aranha saudável até ser parasitada pela Gibellula mineira. Foto: divulgação

A descoberta de Aline foi fruto de um trabalho de campo intensivo e análises laboratoriais detalhadas, sob orientação da Dra. Thairine Mendes Pereira e do Prof. Thiago Gechel Kloss, e contou também com a participação da aluna de Iniciação Científica Camila Ribeiro.

Além de descrever as características físicas e genéticas do fungo, a descoberta destaca a importância de preservar áreas verdes urbanas. Esses locais ainda abrigam uma biodiversidade desconhecida e essencial para a compreensão das interações ecológicas na Mata Atlântica.

Sobre a pesquisadora

Aline dos Santos tem 28 anos e é natural de São Domingos do Prata. É bióloga e doutoranda em Ecologia pela UFV, onde ingressou para cursar graduação em 2017. 

“É um trabalho de pelo menos 2 anos e meio. Foi bem legal descobrir a espécie ao longo desse tempo, porque além da descrição, desvendamos a interação com a aranha hospedeira. Coisa que é bem difícil, porque a aranha fica totalmente coberta pelo fungo", conta.

Para ela, a descoberta tem um peso maior devido ao senso de pertencimento, já que o fungo foi localizado no campus da universidade, próximo da comunidade acadêmica e da população de Viçosa. Por fim, Aline acrescenta que há mais espécies nas áreas urbanas e fragmentos de mata na região, que ainda podem ser descobertas.

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Kinderlly Brandão

Jornalista na Rádio Alternativa 91.1 FM. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Também trabalhei na redação do Portal Mais Minas e Jornal de Brasília. Natural de São Domingos do Prata.