O Sindmon-Metal protocolou, junto à Câmara Municipal de João Monlevade, um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública para discutir a jornada de trabalho na Usina de Monlevade. O assunto a ser debatido é a recente implantação do turno fixo pela ArcelorMittal.
A iniciativa é organizada pela diretoria do Sindicato e tem apoio da vereadora Maria do Sagrado (PT). O objetivo é ampliar o debate com a sociedade e dar visibilidade aos impactos dessa mudança, como questões sociais, econômicas, familiares e de saúde decorrentes das alterações na organização da jornada de trabalho dos empregados da ArcelorMittal.
O requerimento será apreciado pelos vereadores na próxima reunião ordinária da Câmara, prevista para quarta-feira, dia 1º.
O Sindmon-Metal reforça a importância da participação da categoria e da comunidade na audiência, que permitirá a escuta dos trabalhadores e a construção coletiva de encaminhamentos sobre um tema que afeta diretamente a vida de centenas de famílias.
"Tais mudanças, pela sua abrangência e potencial impacto, ultrapassam a esfera privada da relação de trabalho, configurando tema de inequívoco interesse público, especialmente em uma cidade cuja identidade histórica, econômica e social está fortemente vinculada à atividade da empresa", afirma o documento protocolado no Legislativo municipal.
Entenda o caso
Como a ArcelorMittal e o sindicato não chegaram a um consenso sobre qual tabela de revezamento utilizar após o vencimento do acordo anterior, a empresa optou por aplicar o que a legislação prevê na ausência de acordo: o turno fixo.
O impasse acontece porque os desejos das duas partes são opostos.
O Sindmon-Metal quer a implementação do modelo 4x4: quatro dias de trabalho seguidos de quatro dias de folga. Eles argumentam que esse modelo traz mais qualidade de vida.
A ArcelorMittal alega que o modelo 12h é inviável para a operação técnica da usina de Monlevade. A empresa queria renovar a tabela de revezamento que já existia anteriormente.
O sindicato chegou a apresentar três contrapropostas, mas a ArcelorMittal rejeitou.
A mudança para o turno fixo também pesou no bolso. Com o fim do regime de revezamento acordado, os trabalhadores perderam benefícios que estavam atrelados àquele contrato específico. O turno fixo está valendo, mas a situação ainda não foi resolvida.
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