A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, apresentou uma aula magna para educadoras, gestoras públicas e lideranças femininas em João Monlevade. O evento aconteceu na última segunda-feira (9), no Centro Educacional (CEJM).
A palestra teve como tema “Escola é Lugar de Mulher: Liderança Feminina e Transformação da Educação Pública”. A atividade integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher e marcou a abertura da formação da Rede Municipal de Educação da cidade.
Um ponto abordado pela ministra foi o crescimento da misoginia e dos discursos de ódio, especialmente no ambiente digital. Segundo ela, o enfrentamento a essas práticas é uma prioridade no âmbito das políticas de direitos humanos.
“Hoje, temos redes criminosas especializadas em produzir violência contra mulheres e meninas no ambiente digital. Muitas vezes, isso aparece disfarçado de ‘piada’, mas não é recreativo: é violência. Existe inclusive um setor econômico que lucra com a exposição e a violência contra os corpos femininos nas redes sociais”, alertou.

Durante sua fala, Macaé também destacou o papel fundamental da escola e das educadoras na identificação de situações de violação de direitos de crianças e adolescentes. "Eles precisam ser vistos e ouvidos. A escola cumpre um papel essencial na proteção integral. Professores e professoras conseguem identificar sinais de violação de direitos e acionar as redes de proteção”, afirmou.
A ministra também ressaltou que a história do acesso à educação no Brasil está profundamente ligada às lutas sociais, especialmente protagonizadas por mulheres.
Ao final do evento, Macaé Evaristo enfatizou a centralidade das mulheres na educação brasileira e defendeu o fortalecimento da liderança feminina nos espaços de decisão. “Nós somos 80% das trabalhadoras que garantem a educação no Brasil. Todos os dias, garantimos que milhões de estudantes estejam na escola, aprendendo e sendo cuidados. Não podemos duvidar da nossa capacidade”, destacou.

Educação como transformação
A diretora da Fundação Casa de Cultura de João Monlevade, Nadja Lírio, também participou do evento e ressaltou o papel da educação na transformação social e no enfrentamento às desigualdades de gênero.

Ao citar versos da escritora Conceição Evaristo, ela destacou a importância de amplificar as vozes historicamente silenciadas. “Quando ela escreveu esses versos, nos entregou mais que um poema. Entregou um compromisso: o de transformar as vozes silenciadas ao longo da história em fala, arte e ação”, afirmou.
Nadja lembrou que a violência contra mulheres ainda é uma realidade alarmante no país, com impactos desproporcionais sobre mulheres negras. “A pergunta que permanece é: como romper esse ciclo? A resposta potente e transformadora está na educação, que forma consciência crítica e transforma as narrativas que sustentam as desigualdades”, concluiu.
