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Médicos do SAMU de João Monlevade estão sem receber salário há pelo menos 3 meses

Profissionais denunciam que inadimplência coloca em risco o atendimento à população; saiba mais

Médicos do SAMU de João Monlevade estão sem receber salário há pelo menos 3 meses
Foto: Walterson Rosa/MS

Os médicos que atuam no SAMU de João Monlevade sob regime de Pessoa Jurídica estão há pelo menos três meses sem receber remuneração. A situação afeta diretamente a prestação do serviço de urgência e emergência à população.

O pagamento deveria estar sendo realizado pelo CISURG Médio Piracicaba, o consórcio público que reúne 27 municípios da região e gerencia o SAMU 192. O financiamento é compartilhado entre o Estado de Minas Gerais e os municípios consorciados.

Segundo os médicos que prestam serviço para o SAMU, atualmente, há trabalhadores com pagamentos em atraso desde novembro de 2025, e outros desde janeiro de 2026.

Notificação extrajudicial 

Recentemente, a equipe de médicos do SAMU se uniu e enviou uma notificação extrajudicial para a coordenação do CISURG, solicitando a regularização dos débitos e uma posição formal quanto aos prazos. 

Como resposta, o CISURG explicou que o atraso dos salários decorre da falta de pagamento da maioria dos municípios consorciados. Ainda na resposta, o consórcio informa que está adotando mecanismos administrativos para cobrar os municípios devedores. Por fim, o consórcio disse que a previsão de regularização integral dos pagamentos ocorreria no dia 06 de abril. No entanto, os pagamentos atrasados não foram efetuados.

Para os médicos, as justificativas apresentadas pelo consórcio são inconsistentes, sem qualquer transparência ou definição concreta de cronograma de pagamento.

Notificação extrajudicial enviada pelos médicos para o CISURG.

Segundo informações da secretaria executiva do CISURG, metade dos municípios consorciados e atendidos pelo SAMU Regional não estão cumprindo o repasse de recursos. Dessa forma, os municípios serão notificados em breve sobre o não pagamento. Caso não regularizem a situação, as cidades inadimplentes deixarão de ser atendidas pelo SAMU.

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SAMU de João Monlevade

O Expresso Monlevade conversou com um médico do SAMU de João Monlevade que está sem receber sua remuneração desde janeiro deste ano. Segundo ele, o setor de Recursos Humanos do CISURG não responde mais os e-mails e solicitações dos médicos. O nome do profissional será preservado conforme o direito de sigilo da fonte.

Vale ressaltar que o município de João Monlevade está em dia com suas obrigações financeiras relativas ao SAMU. No entanto, os profissionais que atuam na base da cidade estão com salários atrasados porque o consórcio é financiado de forma conjunta, ou seja, depende de repasses de todos os municípios.

De acordo com os profissionais afetados, somando as bases de João Monlevade e Itabira, são mais de 22 médicos sem receber. Todos esses profissionais atuam como pessoa jurídica e seguem trabalhando normalmente, mantendo o atendimento à população, mesmo diante de uma situação de inadimplência prolongada.

O médico de Monlevade também relatou que a base do SAMU da cidade, nos últimos dias, tem funcionado de forma parcial. Isso acontece devido ao desligamento de condutores terceirizados, que estão em período de aviso prévio. Com isso, em alguns turnos, apenas a unidade avançada (USA) permanece disponível, sem a unidade básica (USB) operando.

Essa situação gera um risco importante à assistência, pois a ambulância avançada acaba sendo deslocada para ocorrências de menor gravidade. Como consequência, quando surge um atendimento realmente crítico, como uma parada cardiorrespiratória, pode não haver equipe disponível, deixando a população sem suporte médico adequado naquele momento.

A ausência de condutores compromete diretamente a cobertura do serviço e a capacidade de resposta às emergências, o que representa um cenário preocupante para a segurança da população.

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Mesmo sem receber, médicos seguem trabalhando

Apesar do atraso nos pagamento de suas remunerações, os médicos seguem cumprindo suas escalas regularmente, inclusive assumindo plantões descobertos, a fim de evitar a paralisação de ambulâncias e a desassistência da população.

Ou seja, apesar de parte dos recursos estar sendo repassada regularmente, isso não tem se refletido no pagamento dos médicos na ponta, o que gera insegurança e coloca em risco a continuidade do serviço.

Os profissionais sugerem que o prefeito Dr. Laércio Ribeiro articule uma solução junto ao consórcio, tendo em vista a gravidade da situação.

Vale ressaltar que a situação ultrapassa uma questão trabalhista, impactando diretamente a continuidade e a qualidade de um serviço essencial à população.

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