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Governo de Minas tenta implementar novamente projeto de escolas cívico-militares no estado

Governador envia à Assembleia o projeto que implanta o Programa das Escolas Cívico-Militares. A proposta já foi discutida em audiência pública em João Monlevade; saiba mais

Governo de Minas tenta implementar novamente projeto de escolas cívico-militares no estado
Foto: reprodução/SEE/MG

Em uma nova tentativa de implementar o modelo de escola cívico-militar em Minas Gerais, o governador Mateus Simões encaminhou à Assembleia Legislativa (ALMG) um projeto de lei sobre o programa.

O projeto visa criar o Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM) na rede estadual de ensino, a partir de um modelo de cooperação com as instituições militares estaduais.

O texto encaminhado nessa segunda-feira (13) prevê que a adesão ao programa será de forma voluntária e mediante a manifestação favorável da comunidade escolar em consulta pública. Cerca de 700 escolas estaduais podem aderir ao modelo cívico-militar, incluindo instituições de João Monlevade.

Relembre

O ex-governador Romeu Zema já tentou implementar as Escolas Cívico-Militares no ano passado. Na ocasião, as escolas começaram a consultar pais, alunos e profissionais sobre a iniciativa.

Em 2025, quatro escolas de Monlevade foram selecionadas: Manoel Loureiro, Luiz Prisco de Braga, Alberto Pereira Lima e Doutor Geraldo Parreiras. Na época, foi realizada uma audiência pública pra debater o tema, e as opiniões dos vereadores e demais participantes se dividiram. Estudantes se manifestaram contrários à medida.

Audiência Pública na Câmara de João Monlevade debateu a implantação do programa das escolas cívico-militares em julho de 2025. Foto: reprodução/CMJM

No entanto, o processo de expansão das Escolas Cívico-Militares foi suspenso pelo próprio Governo de Minas devido ao período de recesso escolar.

O programa ainda vinha enfrentando dificuldades judiciais. O Tribunal de Contas (TCE-MG) paralisou o projeto provisoriamente devido a ausência de lei estadual que ampare a inciativa, além de falta de previsão orçamentária específica. A decisão foi mantida pelo TCE, mas suspensa novamente, pela Justiça.

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Agora, Mateus Simões enviou o projeto de lei à ALMG para tentar instituir o programa legalmente.

Como vai funcionar?

De acordo com o Governo de Minas, as escolas que aderirem ao modelo continuarão sob gestão da Secretaria de Estado de Educação, sem prejuízo às funções pedagógicas e institucionais dos docentes e profissionais de educação.

Ainda segundo o Governo, os profissionais da educação continuarão responsáveis pelo currículo escolar, pelos projetos pedagógicos e pelas práticas educacionais.

O projeto de lei determina que atuarão nas escolas militares da reserva remunerada, mediante aceitação voluntária. O objetivo é a promoção da educação integral, da disseminação da cultura da paz e da disciplina nas instituições escolares, sem interferência na autonomia pedagógica.

Para isso, serão observando-se três critérios: nível de vulnerabilidade socioeconômica da região, nível de complexidade de gestão escolar e fragilidades organizacionais e nível de desempenho em avaliações educacionais.

Projeto já recebeu críticas

Nesta terça-feira (14), a deputada Bella Gonçalves (Psol) criticou o anúncio do projeto de lei sobre escolas cívico-militares que será enviado pelo governador Mateus Simões. Segundo ela, trata-se de um projeto eleitoreiro e inconstitucional.

Ela defendeu que o projeto, se encaminhado, passe pela Comissão de Direitos Humanos para que se discuta a inclusão de providências para preservar os estudantes de discursos de ódio, tais como a misoginia.

Bella Gonçalves (deputada estadual PSOL/MG). Foto: Daniel Protzner

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) também se posicionou de forma contrária ao projeto. Segundo o sindicato, a medida “volta à tona exatamente no momento eleitoral, com o claro objetivo de criar polêmica e colocar o governador/candidato no centro das atenções”.

Ao sancionar o Plano Nacional de Educação (PNE), nessa terça-feira (14), no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o documento mostra que o Brasil não precisa, na educação pública e gratuita, a expansão de escolas cívico-militares. A fala do presidente não se dirigiu especificamente ao projeto de lei enviado pelo governador de Minas Gerais.

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