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Enscon se diz vítima do trânsito de Monlevade e justifica atrasos nos horários dos ônibus a partir de fatores externos

O diretor da Enscon, Eduardo Lara, disse que o trânsito e as obras rodoviárias são os principais fatores que afetam a pontualidade dos ônibus. Já a Prefeitura de João Monlevade disse que dará uma resposta à população; saiba mais

Enscon se diz vítima do trânsito de Monlevade e justifica atrasos nos horários dos ônibus a partir de fatores externos
Representantes da Enscon e do Settran enfrentaram cobranças diretas sobre a falha na fiscalizacão do serviço e a necessidade de solucões imediatas. Na foto: Alex Jordane e Eduardo Lara. Crédito: Kinderlly Brandão.

Os usuários do transporte público em João Monlevade pressionaram a Enscon e o Settran e cobraram soluções para diversos problemas, na noite de quinta-feira (03), durante audiência publica na Câmara Municipal. Muitos participantes relataram atrasos sistemáticos e descumprimento de horários. Segundo os passageiros, há uma espera exaustiva, muitas vezes de até duas horas, por ônibus que não passam no horário previsto no aplicativo.

O diretor da Enscon Viação, Eduardo Lara, argumentou que o cumprimento dos horários não depende apenas da quantidade de ônibus, mas de fatores que obstruem as vias públicas, tais como o excesso de veículos nas ruas, as obras em andamento nos trevos da BR-381 e intervenções cotidianas de trânsito, como operações de carga e descarga.

O gerente de tráfego da Enscon, Alex Jordane, argumentou que a empresa é vítima da falta de mobilidade urbana na cidade. 

Se o trânsito trava, se a BR trava, se a cidade trava, o ônibus é só uma uma vítima nessa história toda. Infelizmente não tem como voar.

Alex Jordane


Obras na BR-381 são apontadas como gargalo

Eduardo Lara disse que as obras na BR-381 são o principal gargalo logístico que inviabiliza a pontualidade da frota. Ele ainda apresentou dados obtidos por meio do sistema de monitoramento/GPS dos ônibus. 

Segundo Lara, antes das obras, a frota inteira (composta por quase 80 veículos, incluindo os circulares e os rotas escolares) passava, no máximo, de 35 a 40 minutos por dia parada em congestionamentos com o motor ligado. Na quarta-feira anterior à audiência, o tempo acumulado de paralisação desses mesmos veículos saltou para sete horas, segundo o diretor da Enscon.

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Ele alertou que "a tendência da estrada é piorar", pois as etapas futuras das obras rodoviárias serão ainda maiores do que as atuais.

Eduardo Lara, diretor da Enscon.
Eduardo Lara, diretor da Enscon. Crédito: Kinderlly Brandão.

Buscando isentar a Enscon das acusações de cortar horários de forma arbitrária, Eduardo Lara garantiu que a empresa não tem poder de criação ou alteração sobre o planejamento das linhas, e que a responsabilidade sobre os horários dos ônibus é do Settran.

Eu não invento horário, não corto horário e não crio horário

Eduardo Lara


A moradora Leonice questionou por que linhas de bairros que não passam pela BR também sofrem cortes e atrasos. “Estão trabalhando na BR. Mas e antes da BR? A BR começou tem pouco tempo, 30 dias. E os ônibus do centro e dos outros bairros que não dependem da BR, por que que foi cortado horário, atraso...?”, perguntou Nice.

O debate reforçou a pressão popular por melhorias na mobilidade urbana e no serviço de transporte público.
O debate reforçou a pressão popular por melhorias na mobilidade urbana e no serviço de transporte público. Crédito: Kinderlly Brandão.

Já o morador Glauber Augusto sugeriu que a ineficácia do transporte público é justamente o que motiva as pessoas a utilizarem carros particulares, gerando o próprio trânsito que a empresa usa como argumento para os atrasos. "Como que vai ter menos veículos nas vias sendo que não temos um transporte coletivo eficaz?", questionou Glauber.

O que disse a Prefeitura de João Monlevade?

O prefeito Dr. Laércio Ribeiro não esteve presente, mas o procurador jurídico da Prefeitura de João Monlevade, Hugo Lázaro, representou a administração municipal. Hugo se comprometeu a registrar as demandas e buscar alternativas que garantam dignidade e segurança aos usuários dos ônibus.

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Ao ser questionado sobre o prazo que a prefeitura teria para responder às reclamações, Hugo firmou o compromisso de dar respostas à população em um prazo de dez dias. 

Hugo, procurador jurídico da Prefeitura de João Monlevade.
Hugo, procurador jurídico da Prefeitura de João Monlevade. Crédito: Kinderlly Brandão.

Em sua fala, Hugo também destacou que João Monlevade está se consolidando como um polo de referência regional, econômico e universitário. E com isso, a cidade está enfrentando as "dores do crescimento", o que gera impactos e gargalos diretos no sistema de mobilidade e transporte.

Diante das cobranças sobre possíveis descumprimentos contratuais por parte da Enscon, Hugo afirmou que a prefeitura irá apurar todas as denúncias. Ele garantiu que, caso as irregularidades sejam formalmente comprovadas, a empresa sofrerá as punições cabíveis previstas em lei e no contrato, incluindo advertências e multas.

*É proibida a reprodução/plágio parcial ou total de matérias publicadas exclusivamente no Expresso Monlevade.

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